Para Camilo

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Eu poderia ter escolhido proteger meu coração, viver uma vida “normal”, sem aventuras, sem ter que deixar tantas coisas, renunciar tantas outras. Eu poderia ter escolhido não esperar por você, não largar emprego e vender chocolate para te ver na Europa. Eu poderia ter escolhido não acordar de madrugada para ter a chance de te “namorar via skype”. Sim, eu poderia não ter me submetido aos cortes que a saudade fez no meu coração quando passamos quase dois anos afastados por um oceano. Eu poderia não ter dito sim quando você me pediu em casamento. Poderia também não ter escolhido esperar por seis meses para que aquele primeiro sim se transformasse em uma aliança na mão direita. É verdade, eu sou livre e também poderia não ter esperado mais 1 ano e dois meses por aquele domingo lindo, cheio de sol, de ternura, de ansiedade, de simplicidade, de amigos queridos, família reunida. Eu poderia, meu amor, ter dito não à vulnerabilidade que o amor traz. Eu poderia ter dito não a você e ter evitado nossos filhos, os frutos do nosso matrimônio. Eu poderia dizer, com o meu corpo, que eu não te amo tanto assim ao ponto de entrega-lo a você como um sinal sacramental da minha oferta. E tudo poderia ser diferente. Não haveria luta, não haveria briga, não haveria choro, saudade, transtorno, mágoa, crise. Não haveria crescimento, beijo matutino, cafuné, “amor, mexe no meu cabelo”, paixão, kairós, soneca durante o filme. Não teria “nós”, não teria Tomé, nem Aurora. Não seria bom.
Amo você.
Felizes 3 anos.

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